Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

sexta-feira, 29 de outubro de 2004

Engano

Um dia, para me explicar a tua visão de nós, desenhaste-me duas linhas paralelas que se aproximariam com o correr do tempo mas nunca se tocariam. Eu subestimei o teu desenho. Tive a certeza que a vida desviaria a trajectória desses dois riscos e provocaria uma intercepção. Enganei-me.

Must read

Girls, vejam lá isto. Genial.

É preciso substituir

É necessária uma compensação, é necessário substituir um desejo inferior por um desejo superior. Por isso, reflecti bem sempre que desejeis renunciar a uma necessidade que seja muito forte em vós, pois trata-se de uma decisão muito grave. É preciso substituir essa necessidade. Assim, para que ela seja satisfeita, continuareis a comer, a beber, a amar ou a viver, mas num grau que não vos exponha aos mesmos perigos. Se não substituirdes as vossas necessidades, sucumbireis.*

Quanto ao resto: chocolate.

[*Omraam Mikhaël Aïvanhov, «A Força Sexual ou o Dragão Alado»]

Tinóni

Orgão central da circulação sanguínea

O meu coração caiu e partiu-se.

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

A viagem (4)

A música foi das coisas mais importantes que me aconteceu, também nesta viagem. Não levámos o “Fungágá” nem o “Joana come a papa” ou o “hei, Vickie, hei”. Era só música de crescidos e em estrangeiro.

Os álbuns que foram gravados em cassetes para a viagem eram, na sua maioria, aquilo que se chama (acho eu que se chama) “álbuns conceptuais”, supondo que se chamam assim os álbuns que contam uma história na qual as diferentes músicas são episódios. É o caso de “Foreigner Suite”, do Cat Stevens; de “Days of the Future Passed”, dos Moody Blues; e – my personal favourite – “Megalopolis”, do Herbert Pagani. As óperas rock “Tommy”, “Jesus Christ Superstar” e “Evita” faziam igualmente parte da play list. O desenrolar das diferentes histórias foi-me detalhadamente descrito, em tradução simultânea, na primeira audição. Era como estar a assistir a um filme. Lembro-me de contestar as posições adoptadas pelas “personagens” como se me pudessem ouvir e assim contrariar os rumos mais trágicos das suas histórias.

Fizeram ainda parte da selecção musical a Melanie Safka (outra que ficou favorita), os Rolling Stones, o Elton John e outros.

Ao longo de um mês, ouvimos as mesmas músicas vezes sem conta. Tentei fazer as contas por alto mas só dá para dizer que foram muitas muitas muitas vezes que ouvimos cada mesma música. Se calhar a melhor forma de o transmitir é contar que, apesar dos meus 8 anos, fiquei a saber as letras de cor. Não falava inglês nem francês mas conhecia as histórias e sabia cantar cada música do princípio ao fim. Passámos muitas horas a andar de carro durante este mês.

Agora tenho a maior parte daqueles discos e só os consigo ouvir no carro.

Um ano

Linda, já estás habituada a estas coisas: dedicaram-te um post no dia em que nasceste. Para o caso de não te lembrares, digo-te que o dia em que nasceste foi uma festa. Desde manhã até à noite, unimo-nos todas à tua volta, como ficou registado nas fotografias. E hoje também é dia de festa. Parabéns à nossa primogénita.

[já agora pedia-te para dares uma palavrinha à tua mãe, pode ser? Diz-lhe que não é razoável demorar um ano a fazer cópias de fotografias.]

quarta-feira, 27 de outubro de 2004

Estado do tempo para amanhã

Eclipse total da Lua.

Abrigo

Quando ando com a mala às costas, sabe bem pousá-la no chão da tua casa.

terça-feira, 26 de outubro de 2004

O pastor, o rebanho e o tesouro

Recebi hoje um telefonema totalmente inesperado de alguém que me é muito querido. De alguém que me conhece por dentro e por fora. De alguém que achou certeiramente que alguma coisa não estava a bater certo. De alguém que parecia estar a olhar para mim, apesar de se encontrar do outro lado da linha. Obrigada. Ouvir a tua voz fez toda a diferença do mundo.

Diz que

«Os estudos indicam que o sexo regular faz as pessoas parecerem 10 anos mais jovens»*.

Haveria muito que dizer acerca desta frase mas uma coisa é certa: “os estudos indicam”. Quando os estudos indicam, os estudos indicam. Há todo um elevadíssimo grau de ciência na afirmação que é precedida de “os estudos indicam”. Esta parte não é discutível, não há mais nada a dizer sobre ela; está bem conseguida. Melhor só um senhor de bata branca a dizer, por exemplo, “os estudos indicam”.

Agora “sexo regular” já é um conceito que me escapa. Aliás, se percebo alguma coisa sobre estes estudos, deveria apresentar-se uma notazinha na qual se esclarecia que “por sexo regular entende-se...”. Era importante, estamos a falar em parecer muito mais novo sem cirurgia (à primeira vista).

Depois há esta questão dos 10 anos; “faz as pessoas parecerem 10 anos mais jovens”. São especificamente 10 anos. É excepcional. E aquelas miúdas que parecem muito desenvolvidas para a idade são, afinal, jovens mulheres de 22, 23 anos que sabem o que é “sexo regular”.

(*Revista «Sábado», nº 25 – 22 a 28 de Outubro de 2004)

Excepto quando é difícil

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

É fácil-fácil

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

Mais

A última vez que acampei já não tinha 15 anos mas tomava, como sempre, duches de água fria. Era pleno Agosto; a temperatura do ar à hora do banho rondava os 28 graus. Ao fim de quatro ou cinco dias fui a cambalear até ao médico. Tive uma crise de reumático e andei dois dias a tomar descontractores musculares. Podem ter a certeza que as «celebridades» não andam a tomar banho de água fria.

Podem explicar-me?

Estava agora a contar a uma coleguinha que um jovem que nós conhecemos disse que uma macaca horrorosa era gira ou coisa parecida. Resposta dela: “Só mesmo uma homem para dizer qu´ela é gira”. Não sei se o mais estranho é o comentário masculino sobre a parvalhona ou a resposta da minha coleguinha, a qual esclareço que não anda a queimar soutiens.

Promete

Já posso falar porque já vi, por junto, um total de cerca de cinco minutos do programa «Quinta das Celebridades». Assim, avanço em primeiríssima mão (acho eu) que aquele brasileiro grandão está claramente instruído pela direcção do programa para seduzir o Castelo Branco e proporcionar(-nos) uma cena de sexo que antevejo, pelo menos, original.

Agora eu

ta rara, ta rara, ta rararara, I think it's amazing ... I think you're amazing, ta rara, ta rara, ta rararara...

Paradoxos

Às vezes, quanto mais queremos demonstrar a nossa tristeza, desilusão, aborrecimento ou até raiva, mais sorrimos, compreendemos, ajudamos, mentimos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Pedro Calapez

Não gosto de inaugurações. Fico sempre com a sensação de que estou a fingir que aprecio o objecto da exposição. Sinto o mesmo noutras situações, por exemplo, nas viagens. Não gosto de viajar com grupos ou, até mesmo, casais amigos. As minhas exclamações parecem-me forçadas e fico irritada quando me perguntam a opinião sobre aquilo que estamos a ver pela primeira vez.

Gosto de ver sozinha o que me interessa, muda e a ouvir apenas o que sinto. Depois, posso falar do assunto mas, num primeiro momento não me digam nada, nem olhem sequer para mim.

Este último fim-de-semana vi sozinha (sim, o meu marido nestas situações é - como deve ser - invisível) a exposição do Pedro Calapez, no Centro de Arte Moderna (Gulbenkian). Revi um quadro que quis muito em determinada altura, mas acabei por optar por outro de outro artista. Na altura achei que a minha opção era a correcta (correcta para mim e não para os outros). Agora, já não sei se a minha opção terá sido a mais correcta (correcta para mim e não para os outros). Confesso que saí de lá um tanto ou quanto angustiada por culpa exclusivamente minha e não da exposição que objectivamente é linda.

A repetir

Aya. Este restaurante japonês é pura e simplesmente divinal. É tudo bom. O espaço, o serviço e a comida. O único senão é situar-se num centro comercial (ainda por cima chamado Twin Towers). Uma das minhas melhores refeições dos últimos tempos.

A não perder

Estive no Porto por razões de ordem profissional. Aproveitei e fui ver a exposição da Paula Rego no Museu de Serralves. Imperdível.

And the oscar goes to...

És a maior. Os meus parabéns !

Estrelinha amiga

Tenho uma amiga que se chama Inês, simplesmente Inês. Ora, a minha amiga Inês foi mencionada no JN de ontem como sendo uma entre os 50 Advogados mais recomendados do nosso país e a única advogada recomendada na área de contencioso. Mais, julgo que é a primeira vez que numa notícia deste género é conferido destaque à área de contencioso. Assim, a minha amiga Inês é pioneira na dignificação pública do contencioso como especialidade da Advocacia. Já lhe dei os parabéns, mas sei que há outras pessoas que irão também gostar de felicitá-la ou, pelo menos, saber desta grande notícia.

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Excepto em alguns casos

They're back.

Não se pode confiar nas instituições

O meu homem casado divorciou-se.

terça-feira, 19 de outubro de 2004

As novas formas de internato

Para a maioria das famílias portuguesas é hoje inconcebível recorrer a um regime de internato como forma de educação escolar das suas crianças. No entanto, a falta de apoio doméstico em termos de pessoal, i.e. empregada, ou familiar, i.e. avó ou afim, faz surgir a tentação/necessidade de deixar as crianças um pouco mais de tempo nas instituições escolares que as mesmas frequentam.

É assim que actualmente as referidas instituições, privadas ou públicas, oferecem serviços que visam prolongar o tempo de escola normal que, de facto, não deveria ultrapassar as 7 horas. Surgem então os chamados prolongamentos, os tempos livres, ...

Este alargamento respeitante à gestão do tempo diário das crianças, também tem expressão ao nível da gestão de tempo anual dessas mesmas crianças com os calendários escolares expandidos e a ausência de fecho de certas escolas para qualquer um dos vulgares períodos de férias.

Mas, voltando à referida gestão do tempo diário, surge agora, em certos estabelecimentos, a “oportunidade” de os pais poderem fazer o seu “programinha” de sexta à noite deixando o filho na escola até às duas da manhã!

Ou seja, a criança, e entenda-se que este regime se aplica ao nível do infantário, um dia por semana poderá entrar digamos às 8/9 horas e sair às 2 da manhã do dia seguinte passando qualquer coisa como 18 horas no infantário (que se traduzem em 24 porque irá certamente a dormir só acordando no dia seguinte em casa).

Esta dita facilidade cujos interesses são predominantemente comerciais, constituindo mais um meio de obtenção de lucro para o estabelecimento em causa, pode parecer, à primeira vista, algo simpático e equiparável à contratação de uma baby-sitter para o efeito. Mas não é. Com a baby-sitter a criança “fecha” o seu dia fora, regressa a casa onde, pelo menos, toma banho na sua banheira, janta na sua cadeira e adormece na sua cama. Enfim, está na sua casa.

E é isto que é importante e é por esta razão que os regimes de internato são, cada vez mais, inaceitáveis. É fundamental que qualquer pessoa viva na sua casa com a sua família, onde e com quem, partilha os momentos mais essenciais da sua vivência diária. E isto só pode ser levado a cabo com sucesso se o tempo, a quantidade de tempo passado em casa for grande. O tamanho do “grande” deverá ser inversamente proporcional à idade da pessoa.

É bom e fundamental sair, frequentar outros espaços e conviver com outras pessoas mas com as referidas limitações e sem sobreposição de espaços e papéis.

É por tudo isto que concluo que serviços como este constituem uma forma subtil de internato e que muito facilmente poderão evoluir para situações como um fim-de-semana ou mesmo umas fériazinhas. Mais uma vez não há comparação com as situações em que as crianças são deixadas para o efeito com os avós ou afins por serem família e por ficarem nas suas próprias casas ou nas destes que também são um bocadinho suas.

Esta tendência geral tem espelho directo na relação laboral que cada vez mais adultos mantêm actualmente com o seu local de trabalho onde passam cada vez mais tempo (sem que, na maior parte das vezes, o rendimento seja superior, pelo menos em proporção).

Do ponto de vista infantil, e reforço que esta nota visa essencialmente a primeira infância, quer-se quantidades de tempo de qualidade em casa e com a família e quando ofertas deste tipo surgem a questão que a colocar deverá sempre ser: “Isto é bom para quem?” e só avançar se a resposta for: “Sem dúvida para a criança!”.

A tempo inteiro

I've been baking bread and looking after the baby... Everyone else who has asked me that question over the last few years says: 'But what else have you been doing?' To which I say: 'Are you kidding?' Because bread and babies, as every housewife knows, is a full-time job. After I made the loaves of bread, I felt like I had conquered something. But as I watched the bread being eaten, I thought, 'well, Jesus, don't I get a gold record or knighted or nothing?'
[John Lennon - para a Huma como «disco d'ouro»].

Lógica Infantil - Desejo

Hoje o meu filho mais velho, com 4 anos, deu a sua definição de desejo dizendo que "um desejo é uma coisa que se tem de fazer".

Consultando o dicionário verificamos que a definição de desejo dada ("acto ou efeito de desejar; vontade; apetite: aspiração; anseio; intenção", Porto Editora) nada diz sobre a sua concretização. Aspecto que esta nova sábia definição encerra como sendo o mais importante de tudo pois de que serve um desejo se não se realizar?

Em casa d’avó

A casa dos avós foi, durante muitos anos, a nossa segunda casa e, não sei porquê, chamávamos-lhe (e chamamos-lhe) apenas a “casa da avó”. Talvez fosse porque a avó estava lá sempre e o avô chegava só à noite, com o Diário de Lisboa que eu agarrava muito depressa para ler a tira.

Em casa da avó tomava-se água com açúcar ao levantar de manhã. Devia ser um hábito antigo. Nunca ouvi falar disto noutro sítio que não fosse em casa da avó. Seria uma espécie de cafeína para crianças? A avó não tinha medo de miúdos cheios de energia. Até porque, em casa da avó, bebia-se gemada depois da sesta. Nunca bebi gemada noutro lado que não em casa da avó.

Outra coisa: no inverno, a avó passava o ferro de engomar na nossa cama antes de nos deitarmos, para ficarmos bem quentinhas. Lembras-te? E depois ficava encostada à cómoda a contar histórias divertidas de tios e primos que não conhecíamos, e ria-se muito.

Ontem estive várias horas em casa da avó a ver, a comentar e a escolher mais fotografias antigas; a ouvir muitas histórias. Daí que.

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Urgências

Fomos à estreia e gostámos muito. Vale mesmo a pena.

O «Problemas de agenda» parecia sincronizado com a minha agenda das últimas semanas e nisso apanhou-me desprevenida. Suscitou-me alguns sorrisos (gostei da embirração especial com a palavra projecto, até porque isto das «Urgências» terá sido, com certeza, apelidado de «projecto» vezes sem conta), mas, mais do que isso, comoveu-me. Muito simples, quase utópico (mas não é); uma espécie de wish list em que os desejos me pareceram os mais acertados.

Muito divertido foi o «Sexo e nada de sexo». Os actores estiveram com um ritmo e uma locução excelentes, até naquelas partes em que debitavam diálogo e pensamentos ao mesmo tempo. Resultou tudo compreensível e obteve-se o efeito pretendido. Gostei muito do texto: irónico mas nem sempre, o que é bom; e sempre certeiro, o que é melhor ainda.

Não foi possível, para mim, digerir o «Azul a cores» enquanto peça de 15 minutos e no meio das outras seis. É denso e violento, e por isso reclama maior disponibilidade do espectador. Como não estava preparada, assisti «à porta».Ou seja, lembro-me de tudo o que vi e ouvi, mas ao primeiro golpe comecei a distanciar-me e mesmo hoje ainda não fiz a digestão.

O «Ctrl+alt+del» aproveita um tema muito bom: a memória. A hipótese de nos livrarmos das memórias, neste caso vendendo-as (sem que o preço seja um elemento relevante; salvo erro, a memória da letra do «com um brilhozinho nos olhos» era dada, tal era o incómodo que causava ao personagem), pode ser apetecível. Mas, por alguma razão, a autora citou a tal frase que eu reproduzi: quanto mais ele as queria vender mais se agarrava a elas, com pormenorizações, emoções e um humor amargo [e eu a rir-me, de nervoso, com a possibilidade de matar a mãe com qualquer outra doença da preferência do comprador da memória].

Vi o «Genebra» (e vá-se lá saber porque é que trato as mini-peças no masculino) como se já o conhecesse porque, de certa maneira, já o conhecia. Ainda assim surpreendeu-me o twist do personagem masculino (com um óptimo desempenho) naquilo que foi a parte mais dura deste diálogo, quase sempre muito contido. Como é óbvio não consigo reproduzir com exactidão, mas ele, às tantas, perante as suspeitas dela, começa a dizer que sim senhora, o sinal estava vermelho e ia a abrir (como sempre) e viu-o e sabia que ele era o actual namorado dela e acelerou e, zás, passou-lhe por cima com todo o gosto. [bem feita, pensei eu, e com que convicção] O tema da aplicabilidade da convenção de Genebra nas relações pessoais veio à conversa de forma recorrente ao longo do fim-de-semana.

É como já disse: vale mesmo a pena.

Foolish games

Excuse me, think I've mistaken you for somebody else / Somebody who gave a damn / Somebody more like myself.

[Jewel]

Querias

You know I'm not gonna diss you on the internet
'Cause my mama taught me better than that
[Destiny’s Child, da música «Survivor»]

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

Show me the money

Ah, as palavras, as palavras... [para a meg]

Words! Words! Words!
I'm so sick of words!
I get words all day through,
First from him, now from you
Is that all you blighters can do?
Don't talk of stars burning above,
If you're in love, show me!
Tell me no dreams filled with desire,
If you're on fire, show me!
Here we are together in the middle of the night
Don't talk of spring, just hold me tight.
Anyone who's ever been in love'll tell you that
This is no time for a chat.
Haven't your lips longed for my touch?
Don't say how much, show me, show me!
Don't talk of love lasting through time,
Make me no undying vow.
Show me now!
Sing me no song, read me no rhyme
Don't waste my time, show me!
Don't talk of June, don't talk of fall
Don't talk at all, show me!
Never do I ever want to hear another word
There isn't one I haven't heard.
Here we are together in what ought to be a dream,
Say one more word and I'll scream!
Haven't your arms hungered for mine?
Please don't "expl'ine", show me, show me!
Don't wait until wrinkles and lines
Pop out all over my brow,
Show me now!
(Frederick Loewe e Alan Jay Lerner, «Show Me», de «My Fair Lady»)

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

Querer é poder?

Eu quero. Muito.

Removals

Passei a vida a fazer mudanças. Os dedos da mão já não chegam para as contar. Ainda não faz dois anos que troquei de casa pela última vez e hoje estou a viver a segunda mudança de instalações da empresa onde trabalho.

Cheguei à conclusão que aquilo que é um pesadelo para a generalidade das pessoas, uma fonte de ansiedades e de noites mal dormidas, a mim dá-me gozo. Parece mentira mas gosto mesmo de desarrumar, guardar, deitar fora, carregar, encaixotar, organizar. Acho que é porque mudar é começar de novo.

Ainda

I thought once I could just have this love affair and it would peter slowly and contentedly out, but it hasn’t worked that way.
(‘Sarah’ - Graham Greene, «The End of the Affair»)

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

Quadros (disclaimer)

I red somewhere that, in modern art, is not what you see that matters but what you think you see, see?* Ou, com um bocadinho de elaboração, what matters is what you represent. E quem diz “in modern art”, diz noutras coisas como, por exemplo, aquelas que tenhamos pretendido representar através da «arte moderna».
[*Edith para Archie Bunker, «All in the Family»]

Aponta aí

Nothing fixes a thing so intensely in the memory as the wish to forget it. - Michel de Montaigne

Huma: toma nota. Fica sempre melhor citar Michel de Montaigne do que Eduardo Sá. By the way, trata de rearranjar endereço de email, sff.

terça-feira, 12 de outubro de 2004

Quadros (5/5)

Ele é sinónimo de harmonia, como o movimento da água, e de generosidade e gosta sobretudo de criar; é construtivo e lúdico, com a areia e com as palavras.

Water snakes I (The Girlfriends I), 1904/7 – The theme of female sexuality and mystical union with the deep is treated in this picture of womens’ bodies swaying in harmony with the movement of water. As the leading exponent of Austrian Jugendstil or Art Nouveau painting, which often took women as its central motif, Klimt attempts to create a new harmony based on the rhythmic, flowing lines of nature.

Para ti, Karma

Este abraço é para ti.

Metonímia

Depois de deparar com o seu uso figurado (acho) no outro dicionário, e de ler e reler a definição no meu dicionário, resta-me fazer bonecos para tentar perceber. Não que consiga. Quanto a «sinédoque» ainda vou ter de pensar no boneco que poderá explicá-la – ou será aplicável o mesmo boneco?

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

Quadros (4/5)

Ele, que é intransigente com os outros e extremamente cuidadoso consigo, aprecia-se sobretudo a si próprio, e gosta de desistir porque é como morrer novo: tem-se menos trabalho e sempre pode surgir um mito.

The Bride, 1918 – This is an unfinished picture. The Bride is shown in dark blue with her head tilted, whilst on the left the groom appears out of a group of females. This picture symbolizes the closing circle of life.

Poupée

Nos meus sonhos de hoje a minha filha era uma boneca. Era uma boneca de plástico igual a ela e até tinha o sorriso (estático) dela. Tinha os braços esticados para a frente num misto de pedido de colo e equilíbrio. Estava com uma saia de ganga igual à dela, sapatos encarnados e um gancho como os dela. Eu perdia-a lá em casa no meio da barafunda. A casa estava em obras e eu coloquei a hipótese do empreiteiro a ter enfiado para um canto. Fui falar com o empreiteiro para saber se ele a tinha visto. Há anos que não via o empreiteiro e antes de ir ter com ele fui-me arranjar para que ele não pensasse “que pena esta rapariga ter ficado assim”. Numa câmara mais atrás a minha voz confrontava o meu papel de mãe com um papel de uma mulher qualquer. A este sonho deve-se ter seguido um outro ou então a emissão acabou e seguiu-se um bocado preto. Fiquei sem saber da boneca e acordei incomodada.

Encontro urgente

Na sexta-feira passada, liguei sem aviso e propus conversármos à dentada. Partilhámos sem cerimónia e a cem à hora os últimos bocadinhos das nossas vidas. Comparámos experiências, certezas e dúvidas. Tenho a ideia de ter dito o essencial. Fiquei com a certeza que o futuro te vai sorrir, mais cedo ou mais tarde. É o que importa.

sábado, 9 de outubro de 2004

Só cunha?

Há alguns dias tomei conhecimento de uma realidade, referente à admissão a escolas privadas, que me deixou estupefacta. Até há pouco tempo a entrada nas escolas privadas, em virtude da sua procura ser bastante superior à oferta, em especial nas mais antigas e conceituadas, era determinada pelo chamado factor “C”, ou seja, pela cunha. O conhecimento de alguém ligado aos órgãos ou funcionamento da mesma era o necessário, e também o bastante, para garantir a admissão de um novo aluno. Ora, segundo me constou, nalguns estabelecimentos de ensino privado, a referida cunha já não chega, é preciso mais qualquer coisa que se parece com o mecenato. Os alunos, ou pelo menos alguns, são admitidos, não só por um especial conhecimento, mas também pela entrega de uma contribuição monetária, por exemplo para aquisição de livros para a biblioteca. Isto significa que a capacidade financeira que já era preponderante na escolha entre uma escola pública ou privada - mas que correspondia à contrapartida pelo serviço de educação, alimentação, transporte, ... prestado - assume uma ainda maior relevância – e corresponde agora ao pagamento de uma decisão de admissão por si só, a um mero sim – contribuindo ainda mais para acentuar a desigualdade de oportunidades.

The La Trattoria*

Fomos jantar à Trattoria. A Karma já lá tinha ido depois da grande renovação e sugeriu-o; desde que descobriu a sua incompatibilidade com a comida japonesa tem tido óptimas ideias para os nossos jantares. O espaço está muito agradável, com especial destaque para a iluminação. A comida estava excelente. Enquanto escolhíamos e depois, a aguardar pelos pratos, fomos devorando pão com azeite e cubos de parmigiano. Eu, como não gosto de queijo, partia cada cubo em fatias fininhas e comia uma fatiazinha de cada vez; repeti o procedimento umas oito vezes. Gostei muito da beringela gratinada (não experimentei a salada de queijo de cabra; é que de queijo não gosto e de vegetais crus não gosto mesmo), do calzone clássico e gostei ainda mais da tarte de limão.

Se calhar é precipitado dizê-lo no dia seguinte mas parece-me que o “jantar da Trattoria” vai ficar na história. Todos os jantares são diferentes só que há uns mais diferentes que outros e este foi um deles. O espaço e a comida não relevam para o facto, de qualquer forma souberam não interferir, o que é muito bom.

[*do filme «Mickey Blue Eyes»]

Generation Gap

Num fim-de-semana passado estivemos numa almoçarada na casa de fim-de-semana de uns cunhados que têm 4 filhos, entre os quais uma rapariga com ainda 3 anos. Como tem dois irmãos mais velhos, rapazes ainda por cima, sente muita necessidade de se afirmar mas, esta cena a que assisti e que aqui quero partilhar, ultrapassou-me por completo. A dita sobrinha passou alguns momentos da tarde fechada no quarto, apetrechado com um leitor de DVD, a ouvir CD’s de música pop da actualidade aos altos berros. Ou seja, a fazer aquilo que eu fazia aos 13 anos, ou talvez até mais tarde, com mais 10 anos que ela! Esta cena deixou-me boquiaberta e num estado de pânico a pensar: se ela faz isto com 3 anos o que é que fará com 13 ? E os meus filhos, o que é que será que eles irão fazer ? Não sei, nem nunca poderei saber até o fazerem por isso, só me resta investir numa infância segura e feliz que acredito ser "a melhor sola para uma boa caminhada".

Os nossos pais

Os nossos pais que, na primeiríssima fase da nossa vida são a nossa razão de ser/existir/sobreviver, rápida e irreversivelmente transformam-se nos nossos piores fantasmas.

Lógica infantil - Adivinha do pente

Quando tinha um terço da idade que tem actualmente, cerca de 4 anos, um anjinho que conheço deu uma resposta, simultaneamente, enternecedora e arrepiante a uma mera adivinha. Numa viagem de carro a caminho da escola/casa, questionado pela irmã (que estava a descobrir as primeiras adivinhas e as testava com o irmão mais novo) sobre "o que é que tem dentes e não come?", e após uns segundos de séria reflexão, respondeu: "são os pobrezinhos".

Lógica infantil - Menino Jesus

Há uns dias, a M. que conheci há umas semanas que é muito querida e que está quase a fazer 6 anos, disse a seguinte frase maravilhosa: "Mãe, o Menino Jesus tem muita sorte porque nasceu no Natal".

Ela

Sean was born on October nine, which I was too, so we’re like twins*. Ela nasceu a nove de Outubro e sempre houve quem achasse que éramos gémeas. Talvez sejamos almas gémeas. Eu agradeço-te por teres vindo à frente. Parabéns.
[*John Lennon]

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

Quadros (3/5)

Ele, como diria a Joss Stone, está apaixonado pelo mundo, o que pode ser enganador, e é sobretudo material, onde se inclui carnal.

The Kiss (Lovers), 1907/8 – This classic image of human love and oneness marks the height of Klimt’s “Golden Period”, so-called after his gold-encrusted manner of painting. The realistic treatment of head and hands balances the abstract geometric forms which dominate the composition, heightening the sensuality of skin by surrounding it with flat brilliantly composed areas of decoration.

Fluxograma (representação gráfica da definição, análise e solução de um problema)

Finalmente, chega o momento em que temos, ou melhor, queremos tomar uma decisão. Ficamos com medo. Sabemos que vamos passar por um mau bocado. Há dias em que acordamos cheios de coragem para enfrentar tudo e todos e há outros em que nos apetece recuar, reduzir a nossa motivação a um capricho. Também sabemos não existir ninguém que nos possa substituir na escolha do rumo a dar à nossa vida. O processo é solitário, difícil, assustador, até. Vivemos instantes profundamente tristes. Contudo, mais cedo ou mais tarde, acabamos por conseguir confiar nas nossas capacidades para lidar com seja o que fôr que nos espera.

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

Wanna bet?

Adoro fazer apostas. Contigo. E ganhá-las, claro. Hoje soube-me bem vencer-te. Estava a precisar urgentemente de uma vitória. Agora, apetece-me subir a parada.

Quadros (2/5)

Ele, que é romântico em determinadas condições atmosféricas (não necessariamente aquelas que o levam a cantar “sim, eu sei que tudo são recordações”), aprecia sobretudo a beleza vista de fora e, mesmo quando não se cinge à aparência exterior, é sempre o «terceiro observador», ainda que existam apenas duas pessoas na equação considerada, uma das quais o próprio.

The Violet Hat, 1909 – Klimt’s admiration of women was directly reflected in his pictures and in innumerable drawings that have assured him a place in the history of erotic art. In its spontaneity, this work reflects Klimt’s interest in French Impressionism.

O meu outro blog

É administrado pelo meu pai.

Quadros (1/5)

Tenho um cubo «mágico» com reproduções parciais de quadros do Klimt. Esta madrugada acordei às quatro e vinte e oito a pensar, e aquilo em que pensava produzia o efeito de um foco de luz com 400 watts aceso dentro da minha cabeça. Pensava nos quadros. Levantei-me e fui vê-los. Voltei a deitar-me. Às cinco e quarenta fui buscar o édredon e pu-lo na cama. Adormeci em seguida. O meu mal era frio.

[LIFO]

Demian

Acabei de ler este livro há dias. É a obra favorita de um amigo que se encontra longe. O texto impressionou-me e emocionou-me diversas vezes. Deixo aqui a transcrição de uma certa passagem que me tocou particularmente: "- Não deve dar-se a aspirações nas quais não acredita. Eu bem sei o que você deseja. É impreterível que possa, ou libertar-se dessas pretensões, ou desejá-las absoluta e inteiramente. Se alguma vez for capaz de fazer um pedido de tal forma que esteja plenamente seguro da sua realização, esta efectivar-se-á. Você, porém, quer é arrepender-se de seguida, tem medo. Tudo isso necessita de ser ultrapassado (...) - O amor não há-de pedir - dizia ela - nem, tão pouco, exigir. O amor tem de possuir a força de alcançar firmeza em si mesmo e então não mais será seduzido mas, pelo contrário, passará a exercer a sedução. Sinclair, o seu amor é atraído por mim. Se, algum dia, for ele a seduzir-me, eu irei. Eu não quero fazer ofertas, quero, sim, ser conquistada".

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Os portugueses são muito engraçados*

Gostamos de ímans. Temos isso, entre muitas outras coisas, em comum. Eu acho que é mania de me imitar em tudo, mas isso já seria outra história. Às tantas diz-me: “gostava de encontrar uns magnetes...”. Uns magnetes? Que disparate é esse? Isso existe? Ninguém, absolutamente nin-guém, diz «magnetes». Que presunçoso. Ímans é o que queres dizer, ímans. Passou-se uma meia hora até os descobrir e comunicou-me animada: “Há ali uns ímans!”. Um siemens? O que é que queres dizer com isso?

*estou a pensar criar uma rubrica, com este título, sobre portugueses que têm a mania de usar o português. são tão engraçados.

Recebi os vinte

Tenho sessenta e três destas para ti.

Atocha

Não ir a Madrid sem visitar esta selva que fica dentro da estação de comboios. A minha máquina fotográfica digital é do melhorzinho que há, só comparável com o meu talento para a fotografia.

segunda-feira, 4 de outubro de 2004

Eu, comigo (cont.)

Quando cheguei à praia fui confrontada com um mundo de gente do lado esquerdo e um deserto de pessoas do lado direito. Optei obviamente por este último lado, pagando uma fortuna com gosto pela espreguiçadeira e pelo toldo que me iriam fazer companhia durante aquele dia.

Para o feito, tive de entabular um pequeno diálogo com o nadador salvador que se ocupava também de arrendar aquele material. O rapaz não podia passar despercebido, nem a uma mulher no estado de alheamento em que eu me encontrava. Alto, bronzeado, cabelo cor de palha, sorridente. Falava com um sotaque soviético.

A tarde já ia a meio quando o dito nadador salvador e um amigo resolveram fazer uma demonstração de mergulhos acrobáticos. Eu perdi uns momentos a observá-los meia divertida, meia sentenciosa. Entretanto, a brincadeira acabou e eu regressei à leitura.

Eis senão quando o tal amigo invade de forma descarada o meu espaço para tentar meter conversa. Um miúdo normal com cerca de 20 anos e um ar simpático. Respondi-lhe secamente e atirei-lhe o meu olhar mais gélido à cara para voltar imediatamente a pregar os olhos no livro. Estive uns bons minutos sem largar o papel com receio da minha vista se voltar a cruzar com quem quer que fosse.

Primeiro, senti-me incomodada com o atrevimento mas depois, confesso que até achei alguma graça à coisa. Afinal, sabe bem chegar à conclusão que não sou assim tão invisível quanto isso.

Eu, comigo (cont.)

Ontem, passei um dos melhores dias do meu ano de 2004 (que ainda não acabou, é certo). Na praia. A ler. A dar mergulhos. A dormir. A ganhar coragem.

sábado, 2 de outubro de 2004

A Inês Pedrosa

Costuma ser a razão principal e, frequentemente, a única para continuar a comprar o Expresso.

Eu, comigo.

A maior parte das pessoas não acredita que às vezes nos apeteça estar sozinhos. Estão convencidas que dizemos que estamos sem ninguém para não revelarmos a identidade da nossa companhia. Lamentamos eventuais desapontamentos mas estamos de facto sós, algures no Algarve, a escrever este post.

sexta-feira, 1 de outubro de 2004

A viagem (3)

Ainda em Florença, e creio que na noite desse mesmo dia, caiu uma grande carga de água. O parque de campismo ficava numa colina na qual os espaços para as tendas tinham sido criados através de socalcos; tinha o aspecto de uma escada enorme com degraus para gigantes. A chuva descia pela “escada” formando quedas de água formidáveis, por isso instalámo-nos no carro para passar a noite. A água era tanta que parecia que ia arrastar o carro pela colina abaixo e, pelo sim pelo não, decidi não fechar os olhos. Sei que acabei por adormecer porque sonhei que ainda não tínhamos encontrado a minha irmã.

One-track mind

Pode dizer-se, pois, que na origem das diferentes correntes filosóficas e religiosas existe a força sexual, a atracção entre os sexos, e é a atitude que os humanos adoptam em relação à força sexual que determina a sua filosofia: uma que lhe dá vazão e outra que tenta suprimi-la. Na realidade, há muitas outras filosofias, mas todas, mais ou menos, podem ser englobadas numa destas duas categorias.
[Omraam Mikhaël Aïvanhov, «A Força Sexual ou o Dragão Alado»]

morning rub

Hoje fui a primeira a chegar. Conto ganhar alguma coisa com isso.

[o photobucket parece que está avariado. arranjei um substituto que não me inspira grande confiança.]