Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

domingo, 30 de abril de 2006

The Producers

Um desconchavo indescritível onde sobressai o seguinte: Matthew Broderick – 1,73m; Uma Thurman – 1,83m.

Éne

A variável constante, sempre incógnita para quem não resolve a equação.

sábado, 29 de abril de 2006

Os ensinamentos da Mena

A propósito de uma conversa recente sobre as margens de erro dos métodos contraceptivos e o pânico que, em determinados contextos, sentimos ao imaginar fazer parte daquelas ínfimas percentagens, uma de nós terá dito, num acesso lapalissiano, que o único método eficaz para não engravidar era a abstinência.

Entretanto, no meio das minhas leituras, descobri que a Maria Filomena Mónica tinha encontrado uma solução menos radical para combater o medo de engravidar e não resisti em partilha-la, sobretudo com quem chegou a ponderar a hipótese de deixar de praticar em nome do planeamento familiar.

Aquela autora confessa, numa das suas crónicas, o seguinte:”Nos anos que vivi em Inglaterra, na década de 1970, o “Family Planning” receitou-me uma pílula com uma dosagem mais baixa do que aquela que tomava. Tal era o meu receio de engravidar que, durante três anos, engoli duas pílulas por noite.”

Esta receita é, sem dúvida, muito mais pragmática: em vez de sexo a menos, prescreve hormonas a mais.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Personalidade Obsessivo-Compulsiva

Da Wikipedia:

Obsessive-compulsive personality disorder (OCPD), or anankastic personality disorder, is a personality disorder that is characterized by a general psychological inflexibility, rigid conformity to rules and procedures, perfectionism, and excessive orderliness.

People with OCPD may hoard money, keep their home perfectly organized, or be anxious about delegating tasks for fear that they won't be completed correctly. There are few moral gray areas for a person with OCPD; actions and beliefs are either completely right, or absolutely wrong. As might be expected, interpersonal relationships are difficult because of the excessive demands placed on friends, romantic partners, and children.

Além do mais, é bem capaz de ser hereditário.

Zero a zero

Todos aqueles sons, ora mais intensos ora menos, sempre meio gemidos, emitidos ao longo do jogo, faziam lembrar outra coisa. Acredito que sim, que jogaram muito bem, que fizeram grandes habilidades, mas faltaram os golos.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Dinner and two movies

Este foi o segundo: «Dark Passage», um filme de 1947 que passou ontem na RTP memória. Bacall e Bogart - 1,74m cada.

Um achado

A interacção da PSP com a minha pessoa tem dado lugar a inúmeros casos pouco comuns.

Há uns anos recebi uma notificação do Comando de Angra do Heroísmo na qual se solicitava a identificação do condutor que, no dia 05 de Fevereiro de 1999, pelas 09h12m, conduzia o veículo com a matrícula daquele que era então meu carro, em Grota do Vale, S. Bento, Angra do Heroísmo, e em excesso de velocidade. Respondi por escrito esclarecendo que: “nunca o referido veículo circulou em Angra do Heroísmo (ou em qualquer outro local dos Açores), conduzido por quem quer que fosse.”.

No ano passado recebi uma carta do Comando Metropolitano de Lisboa informando-me que “relativamente ao acidente de viação ocorrido no dia 14SET04, em que foram intervenientes os veículos com as matrículas [nunca-ouvi-falar] e [a-do-meu-carro], poderá V. Exa. reclamar os danos na companhia seguradora Real Seguros onde a viatura por vós indicada se encontra segura sob a apólice nº 90308142 (...).”. Liguei-lhes a alertar para o lapso uma vez que o meu veículo não esteve envolvido em nenhum acidente. Responderam-me: “Com certeza que esteve porque nós não inventamos esses dados. A senhora é que se calhar não se lembra...”.

Já em Março deste ano, como contei aqui, fui acordada a meio da noite para ser autuada.

Passo, então, a transcrever o aviso que recebi há uma semana e que me foi remetido pela Subsecção de Achados da PSP:

«Fica V. Exa. avisado(a) de que [Juro! Impresso em cartão e tudo] deverá comparecer na Secção de Achados desta Polícia, Praça Cidade Salazar – Olivais Sul, das 9h00 às 12h30 ou das 13h30 às 17h00 dos dias úteis a fim de levantar o achado nº 4507/06 que lhe diz respeito.»

segunda-feira, 24 de abril de 2006

A varanda

E a mesa do pequeno-almoço.


Aqui

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Uma coisa em forma de assim

Apaixonei-me por este livro ao folheá-lo pela primeira vez. Acabei agora de o ler e não resisto em transcrever o texto que mais gostei. Peço desculpa pelo tamanho que ocupa mas achei que um simples excerto não transmitiria convenientemente a beleza da sua forma e conteúdo. Espero que gostem tanto como eu desta ternurenta história do Alexandre O’Neill.

O Inventor do submarino.

Pegou-me na mão e, de mansinho, experimentou repetir o convite: “Vá, anda ver!” Eu, que o enxotara já duas vezes, desci do Cáucaso, levantei os olhos do livro (Nouvelles Asiatiques, Gobineau) e, com eles, fui coroar de ternura a cabecita de cabelo à “bestla”, que, a meu lado, acenava, a pedir que sim.

Na banheira, o H-237 derivava lentamente entre duas águas. Maravilha! Senti - que querem que lhes faça! – um sincero grande orgulho. Eu era o pai do inventor do submarino! Quando pus os olhos nos olhos do Inventor, este semi-sorria, corado de prazer.

H-237: um tubo de vidro transparente de quase dois palmos de diâmetro igual ao de uma cápsula de garrafa de cerveja (“carica”, no especializado vocabulário dos inventores). Onde desencantara o Inventor o tubo foi coisa que eu nunca quis apurar. De rãs saltadoras e despertadores de caixa de latão desventrados, de frascos de boca larga com cabeçudos nadadores, mais pequenos que fiapos, a escreverem continuamente zés (zzzzzz) na água suja, em rápidos, eléctricos movimentos de corpo, a um estranho dínamo manual que fazia tfft-tfft-tfft a cada faísca que saltava dentre as escovas, o Inventor habituara-me a todos os aprestos deque o seu génio criador necessitava. Mas o H-327, assim à deriva sob meio palmo de água, era positivamente de tarar!

O Inventor ajustara-lhe duas rolhas dentro e rolhara-o, nas extremidades, com outras duas. Criara, deste modo, três compartimentos no H-327. O compartimento central abrigava a tripulação: duas moscas desasadas. O comandante-mosca (ou a mosca-comandante) distinguia-se do resto da tripulação (simbolizado, muito inteligentemente, pela outra mosca) porque o Inventor lhe pintara o sim-senhor de vermelho. Os compartimentos das extremidades constituíam os depósitos do lastro: água e, para melhor contrabalanço, algumas tachas.

A tripulação parecia atenta (já estaria meio asfixiada?) e o Inventor resolveu experimentar, mais uma vez, a estabilidade em imersão, do H-327. Arregaçou a manga, meteu a mão, em espátula, na água e desencadeou na banheira uma tempestade pior que a que meteu a pique a Invencível Armada. Aí é que o meu entusiasmo abandonou todo e qualquer paternalismo, para se tornar um entusiasmo de igual para igual. O H-327 era simplesmente formidável!

A banheira deixou de ser a banheira. Passou a Base Naval Coelho da Rocha (por essa altura nós morávamos em Campo de Ourique, na rua do mesmo nome). E eu corri à colecção do Paris-Match, que tem muito bom papel para aviões, e em três tempos fiz duas esquadrilhas de combate anti-subamarino. O Inventor, entretanto, protestava que a banheira não podia ser a Base Naval Coelho da Rocha, que era, evidentemente, o alto mar. Eu não o contrariei, confiado como estava na superioridade da minha aviação.

Ao terceiro bombardeamento, com o mar muito agitado pelo Inventor, o H-327 foi atingido por uma bomba das grandes: mola –de-roupa de arame. O submarino virou sobre si mesmo. O comandante sacudiu o sim-senhor vermelho e pareceu firmar-se melhor nas patinhas. A mosca-marinhagem não dava sinal de vida.

Eu perdera, contudo, um avião de observação, que, numa vrille desastrada, fora cair na base, perdão, no mar. Soraya, cujo retrato, por um feliz acaso, coincidira com o verso de umas das asas desse avião, sorria-me de dentro de água, já muito desbotada.

O Inventor rejubilava com a estabilidade do H-327, que atravessara, bravamente, a terrível prova. E os bombardeamentos continuaram pelo que restava da tarde. Eu e o Inventor revezámo-nos na produção ininterrupta de tempestades e ataques aéreos. O h-327 sofreu tratos sem fim: o tremendo impacto das bombas de profundidade (para o delirante efeito, lindas grageias de somnífero furtadas da farmácia da velha), o tipo de salva de baterias costeiras cujo longo alcance fora engenhosamente garantido por duas ligas de velhota, enfim, um sei-lá de truques bélicos, qual deles o mais arrasador. Nada! O H-327 era um grande vaso de guerra!

Já com a batalha a passar-se à luz da electricidade, o Inventor, que estava, nessa altura, «ao submarino», pediu tréguas para trazer o H-327 à superfície. Concedidas por dez minutos.

E foi, durante esse curto período de tréguas que a gloriosa carreira do H-327 se viu abruptamente cortada pela entrada prosaica da nossa velhota (minha mãe e avó do Inventor). Cansada de dar ao dedo na agàcésar o dia todo, por conta de Matos & Carthó, Lda., Arameiros Reunidos da Pampulha, a Joana não conseguiu sintonizar o comprimento de onda altamente poético em que eu e o Inventor estávamos a emitir:

- Tu já para a cama, e sem jantar! E tu (era eu…) devias ter vergonha! Que linda educação estás a dar ao teu filho!

Cabisbaixos, eu e o Inventor separámo-nos com um magoar entreolhar de solidariedade.

Por essas onze horas, com a Joana a cabecear sobre mais um capítulo da Vida e Aventuras do Padre Quilhó de Alvarado, levei uma bucha, pé ante pé, ao Inventor.

Como se uma mola o mudasse, truca, de posição, o Inventor sentou-se na cama, esfregou energicamente os olhos e fez questão de saber:

- Então, gostaste do H-327?

Passei-lhe a côdea:

- Muito! Mas já estou a pensar no H-1000…

Trincadela e pergunta:

- No H-1000?

Festa na cabeça e resposta:

- Sim! No H-1000 com motor atómico!

O Inventor pôs-se de pé na cama:

- Motor atómico!

Obriguei-o a deitar-se e não levei muito tempo a satisfazer-lhe a expectativa:

- Imagina um submarino como o H-327, mas com um compartimento extra. Nesse compartimento mete-se uma pastilha Alka-Seltzer. O H-1000 submerge. Tira-se a rolha à sala do reactor, que é a da pastilha, claro… Que achas que acontece?

Não sei se o Inventor conseguiu dormir naquela noite. Eu não. Nem o Gobineau me fez esquecer o longo abraço quente de admiração com que o Inventor saudou, na pessoa do seu pai, o aparecimento, no horizonte dos génios, dessa nova maravilha: o H-1000.

Saper ballare

Gruppo Diapason: ... Buscando visa para un sueño. / El sol quemándoles la entraña, / un formulario de consuelo / con una foto dos por cuatro / que se derrite en el silencio. / Eran las 9.00 de la mañana / Santo Domingo, ocho de Enero / con la paciencia que se acaba / pues ya no hay visa para un sueño.
Moretti: Buscando visa para un sueño / Buscando visa para un sueño
Diapason: Buscando visa de cemento y cal / y en el asfalto quién me va a encontrar.
Moretti: Buscando visa para un sueño / Buscando visa para un sueño
Diapason: Buscando visa, la razón de ser / buscando visa para no volver. / Buscando visa para un sueño / buscando visa para un sueño.
Moretti: Sa qual è il mio sogno? Il mio sogno è sempre stato quello di saper ballare. Io non sono stato più lo stesso dopo che ho visto quel film, Flashdance, con Jennifer Beals.

"I have never begun any important venture for which I felt adequatly prepared."

Sheldon Kopp

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Pub


Krups XN 2006 (em amarelinho)

Preço: 189,99 EUR
Dimensões: 16,6 x 25,2 x 29,1 cm (largura x profundidade x altura)
Peso: 3 kg
Potência: 1260 Watts
Cores: marfim, cinza, laranja, amarelo e azul.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Sam

Tracy Samantha Lord e Mike Connor
«High Society»

Nota: Grace Kelly – 1,70m; Frank Sinatra – 1,73m; Bing Crosby – 1,73m; já agora, para tirar uma teima, Robbie Williams – 1,85m.

terça-feira, 18 de abril de 2006

Hallelujah (2)

É difícil chegar inteiro e, pelo caminho, acredita-se cada vez menos. Quando acontece, quando é real e verdadeiro, não surge como vitória ou recompensa. É antes um incrédulo e contido aleluia.

Hallelujah

The song explains that many kinds of Hallelujahs do exist. I say : "All the perfect and broken Hallelujahs have an equal value". It's, as I say, a desire to affirm my faith in life, not in some formal religious way but with enthusiasm, with emotion.

I wanted to get into this tradition of the composers who said "Hallelujah" but with no precise religious point of view. And then I realize there is a "Hallelujah" more general that we speak to the world, to life… It's a rather joyous song.

It's not exactly some gratitude but the affirmation there is a will that we can't control.

[daqui]

segunda-feira, 17 de abril de 2006

O Banho

Roy Lichtenstein tem de ser um herói das artes plásticas para quem gosta muito muito de banda desenhada, comics e bonecos em geral, como, digamos, por exemplo, eu. Há outros (como o Escher e o Gaudi – admito que a associação dos três exista apenas na minha cabeça) mas agora vinha falar do Lichtenstein. Tem, desde logo, a vantagem do nome que, mesmo para pessoas que nunca se lembram dos nomes (assim de repente só me ocorre a pessoa do exemplo anterior), é fácil de fixar.

Sempre que vejo o original de um quadro do Lichtenstein, coisa que me aconteceu pela segunda vez na vida há uma semana atrás, fico a olhá-lo durante meia hora (exagero), fascinada por constatar que existe realmente óleo e tela naquele quadro. Aquilo não é um print saído de uma impressora a cores. Extraordinário.

[publicado em 12.10.2004 num blog clandestino]

Who Should Paint You?

Depois de ver o resultado do Dan achei que não me poderia calhar nada melhor. Afinal havia outro.

Roy Lichtenstein
Larger than life, your personality overshadows everyone in the room A painter would tend to portray you with a bit of added flair!

What Artist Should Paint Your Portrait?

The quest (1)

Eu continuo a achar que as mulheres não desistiram de procurar o Príncipe Encantado, mesmo quando afirmam já não acreditarem no amor. Muitas delas não querem é assumir o seu romantismo inato pelo facto desta postura ser hoje em dia politicamente incorrecta.

Actualmente, a mulher moderna tem de ser céptica, fria e calculista e olhar para o sexo oposto de um ponto de vista utilitário. Fica bem fingirmos que não nos apaixonamos e que não sofremos quando um homem nos atraiçoa.

Pois eu não acredito minimamente nestas balelas. Basta ouvir o fungar generalizado que um drama-drama provoca no escuro da sala do cinema, ou no sorriso meio parvo que qualquer uma de nós faz ao receber um ramo de flores.

E já pensaram nas horas intermináveis que passamos com as nossas amigas a tentar reabilitar o culpado da nossa última desilusão amorosa, e nas caixas de chocolates que a seguir devoramos quando acabamos por assumir que ele afinal não passa de uma besta insensível? Deixem-se de tretas, as provas são mais que muitas. No fundo, no fundo, todas nós ainda sonhamos em transformar o nosso conto de fadas numa realidade.

The quest (2)

Apesar de acreditar que o sexo feminino não enfiou o conceito do príncipe encantado na gaveta, penso que este esteriótipo já não se reconduz ao nobre cavaleiro que ao aparecer do nada, nos arranca das garras de um feroz dragão, montado num soberbo cavalo branco, qual São Jorge, num acto de impossível bravura.

Hoje, o que desejamos é encontrar um príncipe de carne e osso. O que queremos é amar e partilhar as nossas vidas com alguém real. Não nos importamos verdadeiramente com a cor dos olhos mas sonhamos com um homem que saiba o que quer, que possua a maturidade suficiente para assumir os seus erros e a segurança necessária para voltar a tentar. Que não tenha medo de nos admirar e não se envergonhe de demonstrar o seu afecto. Que nos queira falar e ouvir.

Os homens não se deveriam inibir com o facto de não serem parecidos com o Jorge Clooney, de não possuírem a fortuna do Onassis ou o intelecto do Einstein. As mulheres, na realidade, não suspiram por actores de cinema, multimilionários ou génios mas por pessoas que saibam simplesmente retribuir o amor que recebem.

The quest (3)

Posso estar a sofrer de uma crise de optimismo agudo mas acho que os homens nunca estiveram em tão boas condições como agora para fazerem as mulheres felizes. E vice-versa.

domingo, 16 de abril de 2006

Rufus Wainwright canta Leonard Cohen

Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

sábado, 15 de abril de 2006

Serendipity

Mais um contributo para a definição do conceito:

KRAMER - So how'd you come up with the idea for the belt-less trench coat?
MORTY - I came home one night, and I tripped over one of Jerry's toys. So I took out my belt just to threaten him, and I got a glimpse of myself in the mirror.
KRAMER - How serendipitous.

[de «The Raincoats (1)», Seinfeld, 5ª série]

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Relato de uma noitada no sofá

Não sei precisar qual foi a última vez que me sentei um bocadinho a ver televisão (há três semanas ou um mês, talvez). Acho que só não me esqueço da existência do referido aparelho porque o meu filho é infelizmente viciado no canal Panda.

Deve ser por causa da falta de hábito que me divirto tanto quando, sozinha em casa, resolvo ligar o televisor. Ontem à noite, instalei-me à frente do ecrã por volta das oito da noite e só o desliguei perto das duas da manhã.

Primeiro, dei uma volta pelos vários telejornais (o da TVI continua execrável) e fiquei a saber – entre outras coisas - que o Supremo Tribunal de Justiça considerou os maus tratos a crianças deficientes uma ferramenta normal e até útil para ser usada pelos técnicos encarregues da sua educação.

De seguida, optei por um programa da RTP Memória datado de 1972 sobre um sujeito que tocava acordeão. O que mais me impressionou foi o facto do homem ter falado minutos a fio sobre a sua paixão por aquele instrumento, sem ter aparecido alguém para gerir o tempo e o modo da sua interminável dissertação. Outros tempos.

Da imagem a preto e branco, saltei para o canal de música francês M6. Estava a dar a versão gaulesa do concurso “Ídolos” e eu, sem querer, acabei por sofrer um inesperado ataque de nostalgia ao ouvir uma interpretação do tema mais famoso dos “Indochine”, uma mítica banda francesa dos anos 80.

Para me recompor do saudosismo, executei um zapping frenético até apanhar a meio o filme “Back to the future” no Hollywood. Parei para rever pela enésima vez a cena do Michael J. Fox a dar um show de guitarra eléctrica perante uma plateia apatetada de jovens dos late fifties.

Acabado o filme, decidi realizar um estudo comparativo entre a telenovela brasileira da SIC e a portuguesa da TVI.

Confesso que tive de fazer um esforço genuíno para não desatar a rir da mediocridade das interpretações nacionais (só consegui levar mais ou menos a sério a Sofia Alves). Lamento mas as produções lusas continuam a não chegar aos calcanhares das da TV Globo e companhia. Não há comparação possível entre uma Sílvia Rizzo e uma Glória Pires. É escusado.

Após uma barrigada de anúncios, encerrei então a noite com o primeiro episódio da série americana “Commander in Chief” (Senhora Presidente na versão portuguesa). Fiz bem. Decididamente, gostei de ver a Geena Davis a desempenhar o papel de primeira chefe de estado do sexo feminino dos EUA.

Aliás, fiquei tão entusiasmada com esta série que acho que vou voltar a quebrar o jejum já na próxima quarta-feira, se não me esquecer do horário até lá, claro.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

O meu assunto (2)

[de um email:]
É uma estranha contradição que a periferia do amor seja segura. E que o centro seja tão perigoso como o bairro do fim-do-mundo.

A medida certa é um e meio

You're too much for one man
But not enough for two

[de «Who Is He? (And What Is He To You?)», Bill Withers]

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Honda Deauville

- Hoje estive mesmo para te trazer um capacete, para darmos uma volta.
- Era, era. Gosto de ver. Tem uma estética atraente. Mas assim como está, quieta.

O(A) nosso(a) visitante cinquenta mil

Apareceu hoje pelas 10h13m, usando o endereço de IP 213.58.146.# (Victória Seguros, S.A.) e com o serviço de internet fornecido por Onitelecom - Infocomunicações. É do Porto e, a acreditar nos detalhes da sua visita, não se demorou mesmo nada por aqui. Mais tarde apareceremos em sua casa para comemorar devidamente a efeméride.
O Sitemeter é mais eficiente e indiscreto do que a Polícia Judiciária*.

*Uma vez fui contactada por um agente da PJ informando-me que não era possível localizar o arguido “nem através do 118”.

domingo, 9 de abril de 2006

A mulher mais bonita

«Hoje acontece dizerem-me: ‘Tu eras a mulher mais bonita de Lisboa...’. Mas nunca, nessa altura, me diziam: ‘Tu és a mulher mais bonita de Lisboa’.» [Maria Filomena Mónica, NS de 25 de Março de 2006]

Fez-me lembrar a minha irmã, irritada porque sempre que elogiava uma certa mulher muito bonita lhe respondiam “...para a idade”. Raios, disse-me, é uma mulher muito bonita ponto.

Outra coisa que me chamou a atenção nesta afirmação de Maria Filomena Mónica foi o “nunca”: nunca lhe diziam “Tu és a mulher mais bonita de Lisboa”. Isto não é o mesmo que afirmar que nunca lho disseram de todo, mas é estranho, ainda assim. Será que só se dava (e dá) com gente fraca e insegura? A própria circunstância de lhe falarem agora sobre o que foi antes, e portanto já não é, indicia isso mesmo.

Há uma certa fixação, descabida na minha opinião, em usar de objectividade quando se admira a beleza. Como se, de imediato, se fosse ser submetido a uma avaliação minuciosa dos critérios aplicados. E todos querem ser considerados como tendo os padrões mais elevados e exigentes.

Há também, parece-me, um receio de ficar diminuído ao manifestar admiração pela beleza alheia, que não seja a beleza estereotipada e conforme com todos os cânones vigentes. A hesitação e o esforço absurdo de racionalização só surgem perante o elogio aberto da beleza imperfeita, aquela que nos está mais próxima, que quase podia ser nossa e não é. É a assumida admiração por essa beleza que muitos sentem que os poderia apoucar. E o que realmente os apouca é esse sentimento de inferioridade convertido em sobranceria.

sábado, 8 de abril de 2006

A festa d'O Acidental

... o Francisco... esteve... acompanhado... era a Sam...

O resto é conversa e música. Conversa boa com a Charlotte, a batukada e a Helena. Boa música com os djs do costume.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Indispensáveis #6

Furla Designer Duck Head Umbrella (Red)
Recebido no natal de 1999.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

O meu assunto

O meu assunto é só um, não há mais nada. O meu recreio é só um.
O meu assunto domina mas, às vezes, deixa-se dominar. Enche-me e nunca me deixa. Estende-se, transcende-se. É a verdade, é verdadeiro. Não sabe explicar mas mostra tudo. É o meu único e o meu melhor assunto.

Boémia

Detesto cerveja mas agradeço à Sagres ter espalhado o sorriso mais charmoso do planeta pelas ruas de Lisboa.

Já viste, Sam?

segunda-feira, 3 de abril de 2006

La fortuna

Sono un ragazzo fortunato
perché m'hanno regalato un sogno
sono fortunato
perché non c'è niente che ho bisogno
e quando viene sera e tornerò da te
è andata com'è andata la fortuna è di incontrarti ancora.

[de «Ragazzo Fortunato», Jovanotti]