Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

sexta-feira, 31 de março de 2006

Despedida

Parece mentira mas é verdade, o tempo passa. De repente, vou-me hoje embora, quase oito anos depois.

Bem sei que não vamos os dois desaparecer do mapa um do outro mas não consigo deixar de sentir o coração apertado. Neste momento, não me apetece pensar no futuro que me espera, quero parar no tempo e olhar para trás.

Sorrio ao relembrar as nossas inúmeras aventuras e constato que não só nos apoiámos sempre nos momentos difíceis, como celebrámos todas as vitórias juntos. Chego à conclusão que fomos verdadeiros sócios, autênticos parceiros.

Aproximámos voluntariamente as nossas diferenças de feitio e de postura perante a vida, partilhámos todos os nossos segredos, demos o nosso melhor.

Chorei algumas vezes, aprendi muito, diverti-me imenso. Não me arrependo de nada. Sei que vou poder contar contigo sempre e que já sinto a tua falta.

Obrigada por tudo, és uma pessoa inesquecível.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Mal me quer, bem me quer, muito, pouco ou nada?

Kiki

Birth name: Kirsten Caroline Dunst.
Nickname: Kiki.
Height: 5' 7" (1.70 m).
Mini biography: Kirsten Caroline Dunst was born on April 30, 1982 in Point Pleasant, New Jersey, USA to...

Também referida aqui e aqui.

quarta-feira, 29 de março de 2006

terça-feira, 28 de março de 2006

Absolute beginner

Aproveitando-me das palavras da Jewel, escrevi que estava farta de incréus que vão trinchando o amor até não sobrar nada. Farta e cansada, sim, mas também bastante versada no género.

Agora, estou entre a angústia e o prazer característicos da ignorância. Sou uma principiante.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Para o Popeye

Não te esqueças: muito espinafre e pouco pão com manteiga.

Welcome aboard

Caso ainda não tenhas tido tempo para perceber, informo-te que acabaste de ganhar o totoloto.

sábado, 25 de março de 2006

Loving you

Eis senão quando o Inverno foi atingido no coração por passarinhos a chilrear: Minnie Riperton com dedicatória.

Misoginia

Parental discretion is advised

"A misoginia é tramada. Normalmente afecta os rapazes que foram abandonados pelas mães ou então que viram na mãe uma ameaça por temer tanta emancipação. Esses rapazes vão vingar-se as vezes que puderem nas mulheres que foderem. Sinceramente desconheço quais os seus limites. Já me envolvi com um tipo destes. Defendia-se bem da sua fealdade com um discurso estudado, muito cosmopolita, embora às vezes a voz lhe faltasse: um puto a querer ser homem." [O Sexo e a Cidália, NS de 25.03.2006]

Cara Cidália: I think I know your neighborhood boy, he lived on my street...

sexta-feira, 24 de março de 2006

Azul sangue

Fiz um exame médico com resultados surpreendentes. Tenho uma fotossensibilidade ocular característica de um tipo de olhos que nada tem a ver com o meu. Concluiu-se que os meus olhos têm a mania que são bons e reagem em conformidade. Acham-se sensíveis, delicados e azuis. Não me bastava a vista preguiçosa, arranjei vista presunçosa.

quinta-feira, 23 de março de 2006

E agora...

...vamos ali experimentar uma coisa nova que promete.

Feminilidade em revista

Expuseram-me uma teoria interessante. Consiste em atribuir responsabilidade ao elemento feminino pelo aumento da homossexualidade masculina. Segundo esta abordagem, a mulher que toma a iniciativa, decide, executa e resolve, intimida os homens. Leva a que se sintam usurpados do seu papel. Torna-os passivos e inseguros. No fim da conversa, o crescente abandono da heterossexualidade pelos homens era, na verdade, culpa minha.

Fiquei um pouco abatida. Tomei logo a decisão de implementar reformas profundas na minha maneira de ser, as quais, de resto, se encontram já em execução. Isto resolve-se. Hei-de impedir o êxodo. Mais: farei com que regressem ao lado de cá.

[Corta! Não era nada disto. Com feminilidade, caramba.]

Vida de mãe - episódio 32

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Desde há uns meses para cá que todas as manhãs, o meu filho entra no carro e pede para eu pôr a tocar as "músicas Disney". Ele já as sabe de cor mas não se cansa de as ouvir.

Tem obviamente as suas preferências e uma delas é a que faz parte da banda sonora do filme Monstros e Companhia. É também a minha favorita.

Quando a canção começa a tocar, fingimos que afinamos a garganta, prestamos muita atenção para não falharmos a primeira deixa e depois cantamos bem alto e em uníssono as vozes portuguesas do Mike e do Sulley.

Muitas das vezes o meu filho não consegue chegar ao fim porque desata a rir quando nos enganamos na letra e há dias em que não me deixa cantar porque ele é que é o dono da música.

Com todos os seus cambiantes, este pequeno ritual é indiscutivelmente um dos momentos mais altos do meu dia-a-dia.

Excerto da música roubado à Fnac.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Caligrafia

«A inclinação de sua letra mostra que você tende a ser uma pessoa extrovertida, sociável e afetuosa. A ligação de sua letra revela raciocínio lógico, dinamismo, método e uma tendência à rotinas. A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam idealismo, erudição, preocupação com seu crescimento interior. A forma de sua letra demonstra sinceridade, capacidade de adaptação, espontaneidade, sensualidade.»

Sua letra revela quem você é?

Antes de começar a fazer o teste é boa ideia escrever duas linhas de texto num papel para ser mais fácil responder às perguntas colocadas. Tendo em conta a sólida amostra de um caso, declaro desde já que este teste é mesmo o último grito em rigor e credibilidade na avaliação da personalidade.

terça-feira, 21 de março de 2006

Disse-me um passarinho

ontem, por email.

Freakonomics

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Há umas duas ou três semanas atrás, fui à Fnac fazer companhia a uma pessoa que precisava de fazer algumas compras de artigos electrónicos, ou seja, precisava de passar uma quantidade infindável de tempo na única zona daquela loja que não frequento.

Resolvi então deslocar-me à secção dos livros e agarrar num qualquer para me entreter enquanto esperava. A minha escolha não poderia ter sido mais estranha: um livro sobre economia. Comecei a lê-lo e entusiasmei-me de tal modo que acabei por comprá-lo.

Recomendo-o a quem não costuma ler livros deste género. É surpreendentemente interessante.

Aqui fica o link para o blog do livro.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Silêncio (4)

Embalo-me devagarinho à espera que o tempo passe.

Silêncio (3)

Calo o meu amor porque quem me ama não o quer ouvir.

Silêncio (2)

A tua ausência fere-me pelo simples facto de ser possível.

Silêncio (1)

Vivi um terramoto em quinze dias sem sucumbir mas agora que a terra parou de tremer, o desamparo invade-me.

domingo, 19 de março de 2006

Dia do pai

O programa «Café da Manhã» da RFM sugeriu que os filhos confessassem segredos antigos aos pais como forma de celebrar o dia de hoje. Mais uma pequena tortura pela memória num dia em que o pai achava que podia ficar descansado.

No dia 25 de Abril de 1991, o meu pai foi buscar-me a casa para passarmos o feriado e o fim-de-semana. Eu, enlevada por uma paixão recente, não me lembrava do combinado. Estava de facto em casa, só que estava acompanhada. E, coisa que nunca mas nunca acontecia, o meu pai quis subir porque estaria encarregue de arranjar uma tomada no quarto da minha irmã.

Assim se passou. O visitante foi relocalizado para dentro da banheira, pelo tempo necessário à reparação da tomada. O que mais me atemorizava era que o visitante temporariamente alojado na banheira não era [ainda!] o meu namorado. O meu namorado era outro que o meu pai conhecia; detestava, mas ao menos conhecia.

Findos os trabalhos, o meu pai concordou em esperar-me no carro. É extraordinário como se consegue ser persuasivo em situações de emergência. Eu passei os dez minutos que me foram concedidos para me despachar a recuperar do estado de nervos incapacitante em que me encontrava. O visitante aproveitou-os para ingerir um litro de leite e levar uma maçã para o caminho.

Paizinho, já lá vão 15 anos. Já prescreveu.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Homem de coragem

There’s nothing I would change about her. She is extremely successful and mega-powerful. She could destroy this whole hotel just by looking at it. But so far, I feel perfectly safe around her.

[Matthew Broderick sobre a sua mulher, Sarah Jessica Parker]

A suburbana virtual

Desde que nasci, e embora tenha ido nascer a Oeiras, sempre vivi no centro de Lisboa. No entanto, há mais de ano e meio que resido nos subúrbios da blogosfera. Isso deve contar.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Coisa gira

Quem já viu o filme «Coisa Ruim» pode assegurar que este rapaz tem feito uma grande evolução.

Ele cantou-a há muito tempo, ela só a ouviu ontem

Garçom, aqui, nesta mesa de bar
Você já cansou de escutar, centenas de casos de amor
Garçom, no bar, todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal, mas preste atenção por favor
Saiba que o meu grande amor hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza, só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
Garçom, eu sei, eu tô enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente e tem toda a razão
Garçom, mas eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção
Saiba que o meu grande amor hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza, só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão

Reginaldo Rossi

quarta-feira, 15 de março de 2006

O vício de forma

Está lindíssimo, quase quase pintado de azul bebé e soalho encerado. A data num canto, muito discreta, para não nos chocar pela parca actualização. Venham os sonetos.

Ive Mendes

Por sugestão de uma pessoa de bom gosto, que não vou aqui identificar para não comprometer, vamos ouvir «Castiçais» de Ive Mendes. Vale a pena.

terça-feira, 14 de março de 2006

E eu com a telha

Penumbral Lunar Eclipse of March 14

The first lunar eclipse of 2006 is a deep penumbral event best visible from Europe and Africa. First and last penumbral contacts occur at 21:22 UT and 02:14 UT (Mar 15), respectively. The Moon's path through Earth's penumbra as well as a map showing worldwide visibility of the event is shown in Figure 1. This particular event is unusual since it is a total penumbral eclipse. The whole Moon will lie completely within the penumbral shadow from 23:18 UT to 00:18 UT (Mar 15). According to Belgian eclipse expert Jean Meeus [1997] this is one of only five such events during the 21st century. Greatest eclipse occurs at 23:48 UT with a penumbral magnitude of 1.0565. At that instant, the Moon will stand midway in the penumbral shadow. The Moon's northern limb will lie 1.6 arc-minutes from the shadow's outer edge while the southern limb be 1.6 arc-minutes from the edge of the umbra.

Penumbral eclipses are difficult to observe, especially during the early and late stages. Nevertheless, a subtle yet distinct shading should be visible across the southern half of the Moon, especially during the two hour period centered on greatest eclipse.

[daqui]

Elogio ao amor

Quero fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa.
Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, 13 de março de 2006

Ver jogar

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Civilization 4.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be

[de «A Soft Seduction», David Byrne]

E assim acontece

Your Life is Like

What John Cusack movie are you?

quinta-feira, 9 de março de 2006

Sentido de oportunidade (falta de)

O serendipismos encontrou-se hoje, para almoçar, na Travessa do Possolo. Ao aproximar-me deste caos, comentei: "Parece impossível, acaba de tomar posse e não cumpre nem um dia inteiro de trabalho!". O taxista, entre risos, responde: "A menina agora teve graça. É jornalista?"

Fomos os maiores

O Jacinto pode não ter o jeito do maradona para escrever sobre futebol mas é dele o texto que escolhi para deixar aqui registada a estrondosa vitória de ontem.

"(...) É daquelas mesmo para contar aos netos. No meio daquele inferno, Simão olha para a bola com a calma sábia de quem sabe o que vai acontecer. Mas nós somos meros mortais e não acreditamos logo, não percebemos tão rápido. Ele olha para a bola com o seu melhor estilo telepático e chuta-a sem dúvidas, sem segundos pensamentos. O impensável chuto das antologias históricas. O tipo de coisa que, depois de acontecer, é óbvio que tinha de ser assim, não podia ser de nenhuma outra maneira. O golo clássico, na verdadeira acepção da palavra. A bola passa por cima do guarda-redes espanhol, sem hipóteses, e olé. "Ninguém pára o Benfica, ninguém pára o Benfica."

A partir daí o campo era todo nosso, já estávamos quase a jogar em casa. Eles continuavam a atacar, claro, são profissionais e cumprem o seu trabalho como bons actores - funcionários até ao descer da cortina, mas todos, dentro e fora, percebiam que o essencial tinha acontecido. O que só torna melhor o que veio a seguir. Já tínhamos calado toda a cidade de Liverpool, a Europa inteira e todos os supostos cientistas da bola, e Micolli ainda teve génio para aquele instantâneo de futebol-arte absolutamente anti-esquecimento. Um pontapé--moinho que aquilo, sozinho, devia garantir-nos já um lugar na final. Viva o Benfica, viva o Benfica. Vamos lá e vamos dar cabo deles".

quarta-feira, 8 de março de 2006

O polícia bonzinho

Como resulta do visionário sketch do “Gato Fedorento”, não há ninguém com melhor conhecimento das mais requintadas técnicas de tortura do que um polícia bonzinho.

Na madrugada de ontem fui arrancada da cama para ser autuada. O senhor agente considerou que seria antipático rebocar-me o veículo. Então, resolveu apurar a minha morada através da matrícula e ir buscar-me a casa para ser eu própria a remover a viatura. Eram duas horas da manhã.

Eu removi a viatura, de pijama e a dormir, e depois esperei quarenta minutos sentada no carro parado no meio da minha rua, para que fossem preenchidos todos os papéis. Confesso que fiquei um pouco desiludida quando me entregaram apenas três simples impressos; convenci-me que estava a ser escrito um romance. Já referi que estava de pijama? Faz um certo frio entre as duas e as três da madrugada.

Terminado todo o processo de autuação, o polícia bonzinho queria conversar, privilegiando o tema das reconhecidas dificuldades de estacionamento naquele bairro, e manifestando solidariedade para com todos os seus moradores em geral, e para comigo em especial. Tentei rematar o assunto: "Ouça, tenho de ir arranjar lugar para o carro, a menos que fizesse o favor de mo rebocar...? Não?".

segunda-feira, 6 de março de 2006

[de «As Aparências Enganam», Elis Regina]

As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no Outono das paixões
Os corações cortam lenha e depois se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.

domingo, 5 de março de 2006

Gosto de detalhes

Clique o Eduardo.

sábado, 4 de março de 2006

A verdade da mentira

As maiores verdades são ditas a brincar. Por cobardia ou irresponsabilidade.

O tradicional "estava a brincar" dito logo após um certo tipo de comentário - violento - e, principalmente, após uma má reacção do outro, não é mais do que um "estou a dizer a verdade mas não tenho coragem de a assumir". Por um de dois motivos: ou não quero sequer aceitar que penso verdadeiramente assim, ou não consigo encarar a inaceitação da minha verdade por parte do outro.

Whatever

I went down to the beach and saw Kiki
She was all, like, "ehhhh"
And I'm, like, "whatever!"

Then this chick comes up to me and she's all, like,
"Hey, aren't you that dude?"
And I'm, like, "yeah, whatever!"

So later I'm at the pool hall
And this girl comes up
And she's, like, "awww"
And I'm, like, "yeah, whatever!"

Cuz this is my
United States of Whatever!
And this is my
United States of Whatever!
And this is my
United States of Whatever!

And then it's three A.M.
And I'm on the corner, wearing my leather
This dude comes up and he's, like, "hey, punk!"
I'm, like, "yeah, whatever!"

Then I'm throwing dice in the alley
Officer Leroy comes up and is, like,
"Hey, I thought I told you..."
And I'm, like, "yeah, whatever!"

And then up comes Zafo
I'm, like, "yo, Zafo. What's up?"
He's, like, "nothin'"
And I'm, like, "that's cool."

Cuz this is my
United States of Whatever!
And this is my
United States of Whatever!

[«United States of Whatever», Liam Lynch]

quinta-feira, 2 de março de 2006

[de «You Can Call Me Al», Paul Simon]

Don’t want to end up a cartoon
In a cartoon graveyard

Despromoção

George: I asked her if she wanted to go out to dinner and she said "no, maybe we could get together for lunch.". You know what that means.
Jerry: What's wrong with lunch?
George: Lunch is fine at the beginning then you move on to dinner. You don't move back to lunch. It's like being demoted.

[de «The Pez Dispenser», 14º episódio da 3ª série do Seinfeld]

Promoção

Para me esquivar de um quase certo convite para jantar, adiantei-me e, como medida preventiva, convidei-o para almoçar. A resposta não se fez esperar: “Bem podes falar de almoço porque os nossos jantares não dão em nada!”.

Agradam-me interlocutores atentos e corajosos. Fomos jantar.

quarta-feira, 1 de março de 2006

Pub

O poster

e o site.

Sobre viver…

...em dois géneros:

O intelectual problematiza, o yuppie pragmatiza.
O intelectual considera que a vida o conduz, o yuppie programa todos os aspectos da vida.
Em versões extremas, o yuppie é bidimensional e o intelectual vive na quinta dimensão.
O yuppie é eufórico, o intelectual angustiado.
O yuppie exagera a sua graça, o intelectual exagera a sua desgraça.
Etc. e em contínua actualização embora não aqui.

[Nota - cada um destes géneros pode ter qualquer tipo de ocupação profissional, não é isso que releva.]