Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Chashama

Esta rapariga fazia ginástica ao espelho e tanto comia frango frito do KFC com refrigerante, como aipo com água mineral. No chão está um poema chamado The Red Wheelbarrow:

so much depends
upon
a red wheel
barrow
glazed with rain
water
beside the white
chickens.

Na Rua 44, a mesma rua do hotel, demos com esta casa com montra. À primeira vista parecia que se tinham esquecido de colocar persianas e só ao fim de alguns minutos a espreitar disfarçadamente é que deu para perceber que era propositado. Era uma performance.

Passado um dia ou dois da performance aqui retratada, tinham um letreiro na porta que dizia "Closed Audition - A wheelbarrow named desire: the musical". Artistas.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Film Forum

Tinhamos o corpo moído de tanto andar mas era demasiado cedo para desistir. Fomos descansar para uma das quatro ou cinco cinematecas de Manhattan, o Film Forum. Mas só para descansar o corpo, não tivemos qualquer intenção de «descansar a cabeça». O "Some Like it Hot" na sessão das sete foi mesmo o que o doutor recomendaria para o efeito.

Do excelente restaurante onde jantámos a seguir, trouxe uma receita de pumpkin pie ainda por exprimentar.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Dean & DeLuca no SoHo

Esta loja merece sempre uma visita demorada [pequena amostra: video tour]. No nosso passeio deparámo-nos com um expositor dedicado aos sabonetes Claus Porto e com umas latas de sardinhas designadas "sardines portugaises". Na fila da caixa, a senhora à nossa frente levava apenas "sardines portugaises", cerca de vinte latas de "sardines portugaises". Imagino o sucesso que os hors d'œuvre de "sardines portugaises" terão feito no jantar.

A aquisição mais significativa desta incursão foi um pequeno frasco de sal de trufa. Estou completamente viciada em trufas, ou até em aroma de trufa. Antes do sal de trufa comprei o azeite de trufa, nas duas últimas idas ao Casanova pedi a pizza de trufa, e semana após semana continuo a procurar a pasta da Giovanni Rana "al tartufo bianco" que, aparentemente, desapareceu do mercado.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

The High Line

O parque da High Line abriu ao público em Junho de 2009. Na entrada da rua 20 tem vista para o IAC Building (Frank Gehry, 2007) e, um pouco mais abaixo, para o Hudson.

A gripe

Há uns meses atrás, antes de chegarmos a este estado de coisas, tive um sonho que me surpreendeu por não me supor sequer preocupada com o assunto. Sonhei que estava internada numa espécie de estabelecimento prisional, vestida com um uniforme cinzento igual ao de todos os que me rodeavam e a receber uma refeição de tabuleiro na cantina. Ia ficar detida até ter a gripe, que no meu caso tardava. As pessoas chegavam, tinham a gripe e saíam. Menos eu, que nunca mais manifestava qualquer sinal da doença e já ansiava pela febre de 40 graus que me libertaria.

Continuo à espera.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

New Museum

O novo edifício deste museu abriu em Dezembro de 2007 e é muito giro. No sétimo andar, tem um quarto no céu, com varanda, que só abre aos fins-de-semana. Por isso tivemos de lá passar no Domingo, quando voltámos de Brooklyn.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Brooklyn Botanic Garden

Quem vai a Coney Island de manhã, aproveita para ver Brooklyn à tarde. Em especial, o fabuloso jardim botânico com o museu dos bonsais, a estufa tropical, o pavilhão do deserto, o jardim japonês. É um belíssimo parque. Para almoçar escolhemos, e bem, o Brooklyn Fish Camp que tem um espaço exterior nas traseiras, com mesas corridas [162 Fifth Avenue (Park Slope), Brooklyn].

Brighton Beach

Vasculhados melhor o filme e as fotos, temos isto.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Coney Island

Naquele filme «Eu Tenho Dois Amores» (bom filme mas não me lembro do título em português), eles vivem em Brooklyn e vão a um café ao pé da praia, onde se ouve Amália a cantar "Estranha Forma de Vida". Fui investigar e fiquei a saber que as filmagens passaram por Brighton Beach. Com a ajuda dos mapas do Google localizei esta praia, apercebi-me que ficava em Coney Island, que até tinha curiosidade em visitar, e descobri que está à distância de menos de uma hora de metro do centro de Manhattan.

Coney Island tem como imagem mais reconhecível o parque de diversões cujas primeiras atracções são do início do século passado. A roda gigante ainda em funcionamento é de 1918 e a montanha russa é de 1927.

Domingo, às 10 da manhã, a viagem numa carruagem de metro quase vazia e numa linha semi-expresso que a meio de Brooklyn segue à superfície, fez-se num instante. À chegada, logo à saída da estação, deparámo-nos com um mural lindo e gigantesco da autoria dos irmãos grafitistas de São Paulo conhecidos por Os Gémeos. Já no paredão junto praia, um passeio larguíssimo em parte revestido a tábuas de madeira mas também com ciclovia em cimento, a população era exclusivamente composta por russos desportistas de todas as idades. Fomos até à beira-mar, passando pela grande extensão de areia cinzenta, e percorremos a praia até à zona de Brighton Beach. Aqui chegados, voltámos para o paredão e tomámos um café num dos bares-restaurantes russos onde nativos mais idosos e menos desportistas engoliam copos de vodka num ápice. Pouco passava do meio-dia.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Interesses cruzados

Manifesta agora interesse pelos meus discos da Joni Mitchell porque descobriu que o Robert Plant e o Jimmy Page eram grandes admiradores da cantora que lhes inspirou "Going to California".

E eu, se calhar, vou começar a conhecer Led Zeppelin.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

«Galopa Murrieta», Mercedes Sosa

A música do Zorro.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

O Deus de Saramago

Gosto bastante de racionalizações sobre a religião pelo exercício absurdo e inconsequente em que consistem. Assim como gosto de falar sobre as possibilidades da amizade entre homens e mulheres e adoraria dançar sobre arquitectura mas ainda não consegui pô-lo em prática.

Não sou católica mas li o velho e o novo testamentos. Tinha uns 16 ou 17 anos e a minha mãe, que não é católica, andava a implicar comigo porque eu falava como se soubesse imenso do assunto só por conhecer de cor o musical «Jesus Christ Superstar». Não percebi nada da Bíblia, foi como ler um livro em alemão: conhecia a maioria das palavras mas não descortinava o sentido das frases nem conseguia acompanhar o desenrolar da acção.

Os recentes comentários de Saramago sobre o Deus da Bíblia, que "é vingativo e má pessoa", fizeram-me lembrar esta interpretação que li há cinco anos:

    A nossa primeira (e, tristemente, muitas vezes a única) noção da natureza de Deus é uma simples extrapolação da natureza dos nossos pais, uma simples mistura dos carácteres das nossas mães e pais ou dos seus substitutos. Quando se tem pais afectuosos e tolerantes, é provável que acreditemos num Deus afectuoso e tolerante. E na nossa perspectiva adulta, o mundo parecerá ser tão acolhedor como a nossa infância. Se os nossos pais são ríspidos e punitivos, provavelmente cresceremos com um conceito de um deus-monstro ríspido e punitivo.
    [«O Caminho Menos Percorrido», M. Scott Peck, pág. 209]

No meu caso, apesar do ilustrativo episódio da Parker de tinta azul (1), "tanto o meu deus como eu fomos, ao longo do tempo, mudando de voz, de tom e de posição relativa."(2).

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Filmes (15/15)

Wall-E (2008, Andrew Stanton)


Desenho do Daniel

A apreciação de um filme depende também dos factores que conjunturalmente condicionam o indivíduo que aprecia. O Wall-E, visto a 15 de Agosto de 2008, apanhou-me com os sentidos amplificados.

O filme contém dois filmes. Gostei ainda mais do primeiro. Eu teria ficado muitas horas só a ver o Wall-E a apanhar o lixo, a inclinar a cabeça, a aproximar os objectos da vista(*), a emitir sons e quaisquer outras variações que, nesta base, ocorressem aos génios da Pixar. Mas, segundo as opiniões que ouvi, tudo indica que, sem a segunda parte, o filme teria menos aceitação. Há mesmo quem considere que o filme começa realmente quando aparecem os humanos, no tal "segundo filme". Este segundo filme não deixa de ser dos mais imaginativos que se têm feito e com muito humor. Só que, à caracterização já de si algo deprimente da humanidade no futuro, adiciona uma certa dose de moralismo inconveniente. Poderei conceder, apenas de mim para comigo, que este moralismo seja inconveniente como a verdade de Al Gore: mais por ser incómodo do que por ser despropositado.

Comprei o dvd para oferecer no Natal do ano passado ao meu irmão do meio, de 26 anos. Mas o presente não resistiu uma semana debaixo da árvore. Apropriei-me do filme e voltei a vê-lo por altura das festas, uma conduta que muito me envergonhou e a que nunca antes tinha recorrido. Calculo que o meu irmão tenha ficado mais satisfeito com a camisa que recebeu.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Tropeçar na felicidade

Aqui.

Estes períodos em que parece que não acontece nada são muito traiçoeiros para uma pessoa que aprecia o registo dos factos, relevantes ou irrelevantes. Nota-se, aliás, pela característica publicação de posts neste blogue nos últimos tempos: escassa e fora de qualquer contexto de actualidade. Não fosse manter-se a tendência para fotografar tudo e, aos 80 anos, teria alguma dificuldade em reconstituir a época 2008/2009.

Além deste problema, que é grave, estou convencida que a felicidade engorda, como indicia o depoimento de Andie MacDowell no «Sexo, Mentiras e Vídeo»: "Being happy isn't all that great. My figure is always at its best when I'm depressed. The last time I was really happy I put on twenty-five pounds.".

Eu que sou estóica, cá me aguento. Mas se fosse a vocês não me metia nisto.

Intenções pouco claras

Pedro Lomba responde:

- "Can men and women be friends?"
- Entre homens e mulheres, as amizades tendem a não ser muito mais do que falhas de comunicação. [aqui]