Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Flash Flood Area

O post ali em baixo com a foto daquele aviso fantástico “Flash Flood Area” foi inspirado pelo filme «Into The Wild». Gostei bastante deste aviso, que aparece em escassos fotogramas, e do filme também.

A existência de um aviso deste tipo foi uma surpresa para mim. Descobri (na passada 6ª, mesmo a tempo do temporal da madrugada de dia 18) que existem áreas sujeitas a cheias repentinas quanto às quais não haverá nada a fazer senão colocar um sinal de trânsito para avisar. Recomendo, então, que se coloque um sinal de “Zona de Cheias Relâmpago” na rua do meu pai.

Quanto ao filme, estava à espera de gostar das vistas (tenciono ir ao Alasca logo que lá faça menos frio) mas pensei que tentaria doutrinar o espectador sobre as vantagens da intensa e isolada comunhão com a natureza e a purificação pelo regresso às origens e os malefícios do desenvolvimento industrial e assim. Eu gosto da natureza, gosto de assistir à natureza, mas não prescindo de instalações sanitárias bem equipadas e não considero necessária uma estada solitária no deserto para atingir o nirvana; chega-me perfeitamente uma massagem no SPA do Ritz ou dar dois berros a alguém.

Pois este filme, a meu ver, retrata de uma forma bem realista o despropósito do abraço que este “super vagabundo” (supertramp em inglês, nunca me tinha ocorrido) de 23 anos quis dar ao lado selvagem da mãe natureza, e que foi correspondido com o abraço selvagem que o mata. Tal e qual como se as provas que ele vai cumprindo ao longo da história não fossem mais do que tentativas de suicídio falhadas e inconsequentes, porque nada o demove de se isolar e arriscar cada vez mais, até ao sucesso final.