Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Alice

Fui ver o filme «Alice». Gostei mas achei-o limitado na abordagem do tema, até a nível psicológico quanto mais de narrativa. Em termos henrico-raposianos, diria que se trata da alínea b.2, do capítulo 4, da secção C, do título II, do livro “a minha filha desapareceu”.

Isto podia não ser uma desvantagem mas acabou por ser, para mim. O filme tornar-se demasiado repetitivo e ao mesmo tempo que omite questões incontornáveis, como a culpabilização, própria e alheia, e a existência de pais, ou quaisquer outros familiares, dos pais da desaparecida. Percebe-se o objectivo de vincar o isolamento de quem vive um drama daqueles mas, a meu ver, perde-se em realismo. Fica a dúvida se é defeito ou feitio uma vez que o resultado não é mau.

Temos ainda a polémica cena final. A Meg encarou-a como a mais perturbadora. Em mim teve o efeito oposto; considerei-a tranquilizadora, ainda mais quando já acreditava que nos iam deixar sem nenhum tipo de desfecho.

5 Comments:

Blogger Meg said...

De facto não fizemos a mesma leitura do filme.
Eu encarei de forma muito natural o facto do realizador se limitar a abordar o esquema mental que o pai encontrou para não sucumbir à dor que o desaparecimento da filha lhe provocou (ao contrário da mãe vencida que só conseguia viver e depois quase morrer recorrendo aos comprimidos).
Para retratar o tal esquema mental, a repetição era essencial. Quando se sofre este tipo de violência, o tempo parece não correr. A pessoa envolve-se num dia-a-dia que a prende ao passado porque não suporta a ideia que a vida continua sem a pessoa querida.
Por isso, pareceu-me importante e lógico ver e rever o Nuno Lopes a pôr, tirar e visionar cassetes.
Eu gostei do filme mas de facto achei a cena final muito violenta. Incomodou-me muito, especialmente o pormenor da miuda aparecer com os caracois do cabelo cortados.

12:38 da tarde  
Blogger Huma said...

Ora obrigadinho por terem contado o filme, em especial o seu final. O que vale é que eu não queria ver...

1:30 da tarde  
Blogger Sam said...

Eu não contei nada (acompanhar com gesto de dedo em riste a apontar para a Meg).

3:13 da tarde  
Blogger inês said...

pois eu nesta estou com a meg. a repetição era inevitável. agora, também ahco que o filme podia ter sido mais curto...

quanto ao fim, achei que era... um desfecho. triste, mas que dava por finda a busca dele. para mim, naquele momento, ele como que se resignou à perda.

PS: obrigada pelo convite. até estava cá (longe do computador), mas vi a mensagem tarde demais. e no final só teria atrapalhado - afinal, já tinha visto o filme. quando quiserem ir ver as «bonecas russas»...

4:00 da tarde  
Blogger Sam said...

Não era para ver este filme. Era para o Must Love Dogs.

4:31 da tarde  

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