Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Borda fora

Costumo andar de trincha na mão a pintar o mundo de cor-de-rosa. A olhar para o lado bonito da vida, para a metade cheia do copo, para o que as pessoas têm de melhor para dar.

De uma forma inconscientemente obstinada.

De tal modo que, a partir do momento em que me envolvo afectivamente com alguém, se torna muito difícil desfazer o nó, mesmo que a pessoa em causa me esteja a causar sofrimento, intencionalmente ou não.

Em vez de identificar rapidamente o perigo e reagir - agredindo ou afastando-me - opto por procurar e encontrar nessa pessoa um bocadinho qualquer menos mau que depois serve de justificação para (quase) tudo.

Esta é, se calhar, a razão pela qual andei a guardar durante demasiado tempo uma série de esqueletos no armário.

Claro que a maior parte das ossadas até não é intrinsecamente má mas fez-me mal, o que - sejamos pragmáticos - vai dar ao mesmo.

Só há pouco tempo é que me apercebi dos efeitos perversos desta maneira de fazer as coisas quando, não aguentando mais o peso da mobília, se tornou imperioso aliviar a carga.

Obriguei-me a olhar para essas pessoas que eu mantinha fechadas dentro de mim com outros olhos e logo topei uma série de coisas desagradáveis.

Durante uns quantos meses, vi o meu mundo com outras cores. E quando, farta de o ver assim, queria parar para descansar, logo, logo - coincidentemente ou não - uma pessoa imprestável (com quem tive de conviver por dever de ofício) me fazia lembrar a urgência da tarefa que tinha entre as mãos.

Hoje sinto-me a andar para a frente. Num sentido qualquer. Adiante.

2 Comments:

Blogger Paula Vitória Santos said...

Parabéns por este post.
De facto, existem "palavras que nos beijam como se tivessem nome" que é, como quem diz, que se "vestem em nós".
Muito obrigada.
P.S. - Continuo com um brilhozinho nos olhos e a sorrir... Vou voltar a ler este post pela 5.ª vez!

Abraços.

3:57 da tarde  
Blogger Meg said...

Muito obrigada. Apesar de ter escrito em tom de desabafo(como acontece quase sempre) é reconfortante saber que o que escrevemos fez sentido a mais alguém.

11:03 da tarde  

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