Huma expectativa
Pode ser impossível ficar amigo de alguém cujo desempenho do seu papel não corresponde às nossas expectativas.
É o que acontece em muitas das relações amorosas fracassadas. Mas, pode também acontecer noutro tipo de relações como sejam as familiares.
De uma mãe/avó espera-se o assumir de um papel que pode ir dos zero aos cem consoante a agulha do nosso manómetro de expectativas. A expectativa a que me refiro resulta da ponderação entre a nossa vontade e a nossa avaliação das condicionantes da realidade desse papel. Ambas são subjectivas, é a nossa expectativa.
Quando o desempenho do mencionado papel fica demasiado aquém da expectativa coloca-se uma questão: será que podemos ter uma relação que não corresponde minimamente às expectativas só para que não exista ruptura? Questão esta que se assemelha àquela frequentemente posta no final de uma relação amorosa: podemos ficar amigos?
Não. Não se for impossível ignorar a expectativa.

5 Comments:
O que é que é mais importante no amor: amar o outro pelo que ele é ou querer que quem amamos seja o que esperamos dele?
Sempre esperei imenso das pessoas, mas nunca fui bem capaz de dizer "quero isto de ti". Se depois de dizermos, tal não for possível, então se calhar é melhor a relação acabar ou mudar para outra coisa.
Não sei se é disso que falas, mas acho que o caminho para estar com o outro é saber quem ele é e sabermos o que queremos dele.
Amar e ser amado, incondicionalmente,sem o peso das expectativas recíprocas, seria o ideal de qualquer relação, a começar, pelas primárias, que se estabelecem com os pais, as amorosas depois, e por fim (ou não),as com os filhos, quando julgamos que temos o poder de emendar tudo o que estava mal antes...
Normalmente, só nos conseguimos aproximar nós próprios, do ideal que esperamos dos outros, nas relações de amizade, onde a tolerância ajuda a generosidade.
Na gestão dos grandes afectos, mais exigentes,é raro que não haja sofrimento e frustração de expectativas.
Há uns anos a intensidade e a exigência levar-me-ía, e levou-me, a optar pelas rupturas para evitar ou o sofrimento,ou o conformismo.
Hoje sei que há pessoas que não sabem dar mais, nem melhor...mas não vale, talvez, a pena eliminá-las!Se nos são muito próximas, ajustamo-nos ao que têm para dar... porque os nossos afectos de base também não partem sem dor.
A solução da ruptura é um engano quando respeita a relações entre pais e filhos ou entre irmãos.
As nossas expectativas não morrem com uma decisão do nosso cérebro, sobretudo quando temos filhos que nos obrigam a pensar na nossa infância para tentarmos entender a deles.
Ana Vicente,
Concluí recentemente que não chega saber, é preciso pedir. Identifico-me com a primeira parte do segundo parágrafo e, consequentemente, com a citação do próximo post, a qual me fez ver a questão de forma clara (espero que gostes).
Neste caso o que acontece é uma completa ignorância do pedido.
Meg-es queridas,
Obrigada por me iluminarem sobre o próximo passo. O meu desabafo, no entanto, era necessário.
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